1º ENCONTRO NACIONAL DE CLUBES E SOCIEDADES NEGRAS
De 24 a 26 de novembro, aconteceu em Santa Maria o I Encontro Nacional de Clubes e Sociedades Negras do Brasil, no Park Hotel Morotin. A abertura foi na sexta (24) e esteve presente a Ministra Matilde Ribeiro, da Secretaria Especial de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República (Seppir/PR), do Ministério da Cultura -Luiz Fernando de Almeida, da Prefeitura de Santa Maria, da Coordenadoria Municipal de Políticas Públicas para Comunidade Negra de Santa Maria, demais autoridades, além de gestores, representantes e membros de vários Clubes e Sociedades Negras do Rio Grande do Sul e do Brasil.
PARTICIPARAM :
MUNICÍPIOS DO RIO GRANDE DO SUL Clube 13 de Maio (Associação dos Amigos do Museu Treze de Maio), Santa MariaClube Visconde do Rio Branco, São Sepé Clube Treze de Maio e Salgueiro, TupãClube Três de Maio, Cruz AltaSociedade Recreativa e Cultural União Restinguense, RestingaClube José do Patrocínio, Júlio de CastilhosClube Princesa Isabel, FormigueiroSociedade Harmonia, CaçapavaGrêmio Recreativo Beneficiente Operário, Santa CruzSociedade Velha Guarda, Rio PardoClube Recreativo Beneficente União Independente, Cachoeira do SulSociedade Nego, Venâncio AiresSport Clube Brasil, CandeláriaClube Farroupilha, LivramentoSociedade União Rosariense, Rosário do SulSociedade Recreativa Cultural Zíngarus, BagéClube Recreativo Riograndense, Dom PedritoSociedade União Operária 1° de Maio, AlegreteSociedade União Filhos do Trabalho, UruguaianaSociedade 15 de Novembro, São GabrielClube Fica Ahi pra Ir Dizendo, Pelotas(www.ficaai.blogspot.com)Clube Cultural Chove Não Molha, PelotasClube Depois da Chuva, PelotasClube Cultural Estrela do Oriente, Rio GrandeClube Cultural Braço é Braço, Rio GrandeClube Guarani, Arroio GrandeClube 24 de Agosto, JaguarãoSociedade 15 de Novembro, São LourençoClube Recreativo Cultural Honorato Domingues Soares, CamaquãSociedade Visconde do Rio Branco, Passo FundoSociedade Flor da Serra, CarazinhoSociedade Princesa Isabel, Santo AngeloCentro Cultural Hedeiros de Zumbi, IjuíSociedade Floresta Aurora, Porto Alegre(www.florestaaurora.com.br)Associação Satélite Prontidão, Porto AlegreSociedade Rui Barbosa, CanoasSociedade Castro Alves, CanoasSociedade Floresta Montenegrina, Montenegro(www.florestamontenegrina.blogspot.com)Sociedade Cruzeiro do Sul, Novo HamburgoSociedade 6 de Maio, GravataíSociedade Os Tesouras, Arroio dos RatosClube José do Patrocínio, OsórioClube Ouro Preto, Butiá
OUTROS ESTADOS DO BRASILClube Cívico Cruz e Souza, Lages/SCClube Cultural 13 de Maio, Tijuca/SCClube Recreativo Novo Horizonte, Santa CatarinaClube Subtenente da Polícia Militar, Santa CatarinaBaile do Carmo, Araraquara/SPClube 28 de Setembro, Jundiaí/SPSociedade 13 de Maio, Campinas/SPGrêmio Recreativo Familiar Flor de Maio, São Carlos/ SPClube José do Patrocínio, São Paulo/SPClube Palmares, Volta Redonda/RJRenascença Clube, Rio de Janeiro/RJClube Mundo Velho, Minas GeraisComunidades os Arturus, Minas Gerais .
28 novembro 2006
15 novembro 2006
Conhecendo um pouco mais sobre um QUILOMBO !!!
" É provável que muitos brasileiros não saibam definir o que foram os quilombos. Mesmo o mais famoso deles, "Palmares", permanece desconhecido para a maioria. Imaginem, então, a reação dessas pessoas ao saberem que, ainda hoje, existem áreas ocupadas pelos descendentes daqueles negros que, resistindo à escravidão, ousaram fundar as bases de uma nova sociedade.
Sandra Paulino pertence ao Centro de Direitos Humanos Padre Chico e acompanha de perto os problemas enfrentados pelos remanescentes de quilombos no estado de São Paulo. Para ela, as ações do governo (estadual e federal) na regularização das terras dessas comunidades são muito lentas:
"É fundamental que eles obtenham os documentos que atestem a posse de suas terras, somente assim poderão produzir e comercializar legalmente seus produtos, garantindo a sobrevivência do grupo".
Outro problema detectado por Sandra é a total falta de respeito pelos costumes e cultura das comunidades quilombolas:"Muitas vezes eles são tratados como posseiros ou sem-terras, e não como pessoas que desenvolveram uma estrutura social diferente da maioria".A situação, segundo Sandra, é grave. Além da ausência do estado provocar a carência de saúde, transporte e educação (algumas crianças são obrigadas a caminhar quilômetros até a escola), as comunidades enfrentam problemas decorrentes do "progresso":"No Vale do Ribeira, por exemplo, a construção de barragens no rio que circunda aquelas comunidades, podem obriga-los a sair de suas terras. Se isto acontecer para onde irão? Como poderão abandonar o lugar onde estão enterrados seus antepassados, sua história e tradição? É preciso que entendam que o povo quilombola sem seu território não existe".
Para Alecsandro Ratts, antropólogo da Universidade de São Paulo e do Instituto da Memória do Povo Cearense, um dos poucos pesquisadores que atuam em remanescentes de quilombos, o governo federal até tem feito alguma coisa, mas é obrigado a reconhecer que as medidas são ainda muito tímidas:
"Pelo menos atualmente o governo tem noção do verdadeiro tamanho do problema, mas não tem recursos financeiros nem "konw how" para atuar nos quilombos. É preciso entender como essas comunidades funcionam. Estudar e formar pessoas que atuem nessas áreas. Esporadicamente, quando necessário, a Fundação Cultural Palmares contrata profissionais para realizar esses levantamentos, mas é muito pouco. A mudança estrutural desta situação somente acontecerá com pressão da sociedade, quando o clamor dessas comunidades romperem a barreira da mídia".O antropólogo revela que o descaso do governo abre caminho para a invasão das terras dos quilombolas. Afirma que há registros de massacres ocorridos nas décadas de sessenta e setenta no Maranhão e em outros estados vizinhos:"Trabalho basicamente ao norte da região Nordeste e lá os conflitos são latentes. Tenho conhecimento que estes confrontos ainda ocorrem, principalmente nas regiões mais remotas, distantes das capitais".
As opiniões de Sandra Paulino e Alecsandro Ratts fazem coro com outros especialistas ou envolvidos diretamente com a questão. Todos são unânimes em afirmar que o governo deve tomar medidas mais enérgicas e decisivas para solucionar o problema dos remanescentes de quilombos, sob pena de assistirmos mais uma vez o extermínio de um povo e a agonia de uma cultura.
Sandra Paulino pertence ao Centro de Direitos Humanos Padre Chico e acompanha de perto os problemas enfrentados pelos remanescentes de quilombos no estado de São Paulo. Para ela, as ações do governo (estadual e federal) na regularização das terras dessas comunidades são muito lentas:
"É fundamental que eles obtenham os documentos que atestem a posse de suas terras, somente assim poderão produzir e comercializar legalmente seus produtos, garantindo a sobrevivência do grupo".
Outro problema detectado por Sandra é a total falta de respeito pelos costumes e cultura das comunidades quilombolas:"Muitas vezes eles são tratados como posseiros ou sem-terras, e não como pessoas que desenvolveram uma estrutura social diferente da maioria".A situação, segundo Sandra, é grave. Além da ausência do estado provocar a carência de saúde, transporte e educação (algumas crianças são obrigadas a caminhar quilômetros até a escola), as comunidades enfrentam problemas decorrentes do "progresso":"No Vale do Ribeira, por exemplo, a construção de barragens no rio que circunda aquelas comunidades, podem obriga-los a sair de suas terras. Se isto acontecer para onde irão? Como poderão abandonar o lugar onde estão enterrados seus antepassados, sua história e tradição? É preciso que entendam que o povo quilombola sem seu território não existe".
Para Alecsandro Ratts, antropólogo da Universidade de São Paulo e do Instituto da Memória do Povo Cearense, um dos poucos pesquisadores que atuam em remanescentes de quilombos, o governo federal até tem feito alguma coisa, mas é obrigado a reconhecer que as medidas são ainda muito tímidas:
"Pelo menos atualmente o governo tem noção do verdadeiro tamanho do problema, mas não tem recursos financeiros nem "konw how" para atuar nos quilombos. É preciso entender como essas comunidades funcionam. Estudar e formar pessoas que atuem nessas áreas. Esporadicamente, quando necessário, a Fundação Cultural Palmares contrata profissionais para realizar esses levantamentos, mas é muito pouco. A mudança estrutural desta situação somente acontecerá com pressão da sociedade, quando o clamor dessas comunidades romperem a barreira da mídia".O antropólogo revela que o descaso do governo abre caminho para a invasão das terras dos quilombolas. Afirma que há registros de massacres ocorridos nas décadas de sessenta e setenta no Maranhão e em outros estados vizinhos:"Trabalho basicamente ao norte da região Nordeste e lá os conflitos são latentes. Tenho conhecimento que estes confrontos ainda ocorrem, principalmente nas regiões mais remotas, distantes das capitais".
As opiniões de Sandra Paulino e Alecsandro Ratts fazem coro com outros especialistas ou envolvidos diretamente com a questão. Todos são unânimes em afirmar que o governo deve tomar medidas mais enérgicas e decisivas para solucionar o problema dos remanescentes de quilombos, sob pena de assistirmos mais uma vez o extermínio de um povo e a agonia de uma cultura.
07 novembro 2006
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